Senhor Permita...Que eu aceite as minhas derrotas, assim eu ficarei feliz com minhas vitórias...
Que a cada dia eu possa agradecer pelo nascer do sol, como pela noite que se vai...
Que eu posso perdoar a quem me fere sem mágoas, sem me sentir uma vitima por isso...
Que eu seja humilde e perceba que a minha volta outros sofrem bem mais do que eu...
Que eu consiga sorrir mais, chorar menos e ser feliz com o que me destes...
Que eu consiga aprender que sou apenas um ser vivo, neste imenso universo só seu, e respeite todas as outras formas de vida como sendo criação sua.
Que eu saiba agradecer o fato de ter podido ter em meu ventre, mesmo que em período curto a morada de um pequeno anjo...este que fora concebido e regressado para vossa casa, sem ter aberto os olhos para este mundo...
O pequeno anjo chama-se Thuany, eu carreguei em meu ventre por 36 semanas, e pude vislumbrar mesmo que suja de placenta e sangue na hora do seu nascimento o seu pequeno rosto...
Minha filha veio ao mundo como um bebe natimorto, hoje ela teria 14 anos de vida...
Esta é mais uma fase dificil que passei na minha vida, não sei justificar o que aconteceu, erro ou descaso médico talvez? não sei se devo julgar, quero acreditar que era por que tinha ser, estava escrito que seria assim...quis entender que ela não seria deste mundo e que seria um pequeno anjo mesmo a qual veio se abrigar ali dentro do meu ventre e que teria me escolhido para ser sua mãe...
Meu filho já estava com 03 anos e meio quando engravidei novamente, não foi planejada, mais aconteceu, e de uma forma que eu não esperava, visto eu estar ovulando, não tomava nenhum contraceptivo, até mesmo porque me fazia super mal, fazia apenas o uso de preservativos e da famosa tabelinha...aconteceu!
Só descobri a gravidez por causa de um mal estar que vinha sentindo e confesso que quando descobri fiquei triste e preocupada, pois dentro de mim, cresceu um medo de ter que passar novamente por tudo o que passei no nascimento do meu filho...portanto não comemorei, rejeitei conscientemente o fato de estar gravida, mais hoje pude entender o porque de tal rejeição, bem depois de descoberto, procurei o meu médico obstreta Dr.Richielman, aquele o qual cuidou de mim quando eu fiquei hospitalizada a0s setimo mes do meu primeiro filho, já iniciei um quadro de gravidez com infecção na urina, depois veio os enjoos e fraqueza, me sentia debilitada por causa dos vomitos e dos enjoos...meus primeiros tres meses vivia sendo hospitalizada para ficar de dois a tres dias para tomar soro e vitaminas, pois me sentia muito mal, mesmo tomando o dramin para enjoos, não conseguia me alimentar e todo o cheiro que sentia, até da comida na hora das refeições me enjoava, além de que sentia muito sono.
O médico ginecologista obstreta um homem maduro, experiente e bem conceituado, pois tinha até uma matéria mensal que ele escrevia a uma revista de saude feminina, me fazia sentir mais segura, iniciei todo o meu pré-natal com ele, cada vez que ia ao consultório para medir a barriga, verificar a pulsação e os batimentos cardiacos do bebe e verificar a evolução da minha gestação, eu demonstrava a ele um certo receio e medo de que eu viesse a ter novamente uma eclampsia e acontecer alguma coisa na minha gravidez...ele me confortava dizendo que um "raio não cai duas vezes na mesma cabeça", que eu ficasse tranquila porque uma gravidez seria diferente da outra e que eu estava sendo bem assistida por ele, que tivesse pensamentos positivos que tudo iria dar certo...
Sempre tive intuições, e desta vez não seria diferente, mas dei um voto de confiança ao médico e resolvi pensar positivo e só assim consegui curti a minha gravidez, tocava a minha barriga com mais segurança, conversava com o bebe, pois até então não sabia qual o sexo do bebe, só fiz uma ultrassonografia no 4 mes, quando fiquei emocionada ao descobrir que era uma menininha, ainda mais porque ela já tinha um irmaozinho e eu ficaria com um casal...sempre achei bonito ter uma menina para poder enfeita-la, assim como fazia com minhas bonecas...então comecei a preparar o enxoval, muito cor de rosa, lilás, laranja e roxo...tudo muito feminino e alegre! Já tinha até comprado uma pulserinha e brincos de bolinha em peróla e ouro, e tinha encomendado o anelzinho também para quando ela estivesse maiorzinha...queria ve-la linda como uma princesinha...neste período de gestação, estava também passando por uma transformação na minha vida, epóca em que o meu marido estava montando uma micro-empresa de prestação de serviços a Seguradoras, foi uma epóca difícil, de investimentos e sem retornos financeiros...
Mas passamos bem dentro do possível, eu continua trabalhando para ajudar no orçamento de casa por conta dos investimentos com a empresa e me sentia mais cansada, não via a hora de pegar a licença maternidade, minha gestação estava encaminhando bem, mas me sentia triste e não sabia o motivo, era uma tristeza que vinha de dentro da minha alma, sei que toda mulher fica mais sensível quando engravida, mas não se tratava de sensibilidade, era uma tristeza visível e sem motivo, por conta disto meu médico resolveu me receitar um relaxante do tipo calmante com nome de Neozine, era para tomar todos os dias 1 gotinha, funcionava como um anti-depressivo, minha hipertensão estava controlada e eu estava bem, então prossegui trabalhando normalmente e fazendo acompanhamento médico mensal, na rotina do pré-natal foi percebido que ao 8 meses minha pressão arterial tinha subido um pouquinho, o médico resolveu me dar licença médica por 15 dias, para não me atrapalhar na contagem quando eu viesse a tirar a licença maternidade, me receitou um remédio para controlar a pressão, pediu repouso absoluto, que eu continuasse tomando o neozine e que fosse ao consultório dele uma vez por semana a partir daquele momento...fiz tudo isto e minha pressão voltou a normal, então resolvemos marcar a data que seria feita a cesariana, uma semana antes de eu fazer a cesariana ele precisou ir até o Rio de Janeiro em um Congresso médico por 02 dias e deixou um outro médico responsável caso houvesse urgência neste período de ausência, deixou prescrito a solicitação de um exame de us (ultrassonografia) com dopller cardiaco para verificar os batimentos cardíacos do bebe, antes da cesariana e seguiu viagem para o Rio, um dia após a consulta dele, eu me sentia bem, consegui dormir sem me sentir afogando por causa da barriga, mas percebi que minha barriga estava mole ao invés de dura, que quando eu sentava ela parecia tombar para um lado e também não sentia o bebe mexer, achei estranho e comentei com meu marido, concluímos que poderia ser efeito do calmante, ainda sentia o pezinho embaixo das minhas costelas, pois ela já estava encaixada, eu tinha entrado no nono mês e a cesariana ocorreria naquela semana, então ao comentar com eu marido, decidimos que iríamos fazer o exame que o meu médico tinha prescrito no dia seguinte e na própria maternidade aonde eu teria o nosso bebe e esclarecíamos as duvidas quanto ao que eu estava sentindo, sem precisar procurar o outro médico que estava substituindo meu obstreta por aqueles dias... Lembro-me que saímos no dia rumo a maternidade, mais antes passamos no shopping para almoçarmos, pois a maternidade Santa Joana era próximo ao shopping Paraiso, e depois que almoçamos, fomos fazer o exame, esperei pelo meu horário de atendimento, fui chamada, meu marido me acompanhou até a sala de exames, coloquei o roupão branco, e fiquei esperando para o médico do ultrassom vir fazer o exame, ele passou aquele gel gelado e ao colocar e deslizar o transdutor sobre a minha barriga, percebi ele a enfermeira se entreolharem, não ouvi os batimentos cardiacos do bebe...vi o desespero nos olhos do médico e comecei a perguntar o que estava acontecendo, porque não ouvíamos os batimentos do bebe, e porque não estava visualizando os movimentos na imagem de ultrasson do meu bebe?
Ele pediu-me calma e que eu fosse para uma anti-sala que ele viria conversar comigo, pediu para a enfermeira me acompanhar e que meu marido ficasse na sala para passar o telefone do meu médico obstreta para ele...
Naquele momento entendi que alguma coisa grave estava acontecendo com meu bebe, e comecei a entrar em desespero e chorar, a enfermeira, me pediu calma, me levou até a capelinha da maternidade e me trouxe um copo de agua, dizendo que estava tudo bem, eu indaguei então porque meu marido estava la dentro e porque ele queria o telefone do meu obstreta, ele esta neste momento no Rio de Janeiro em um Congresso...a enfermeira me olhava piedosa e me pedia calma, eu conseguia ler nos olhos de piedade dela o que viria acontecer...chorei muito e orei, diante da imagem de Cristo e da virgem Maria, para que me acalmasse e que me amparasse tamanha a dor que sentia no meu peito, sabia que tinha acontecido algo mas não queria acreditar, abraçava a minha barriga e chorava, pedindo a eles que não deixasse acontecer o que estava pensando...neste momento meu marido apareceu com os olhos cheios de lágrimas e me abraçou forte, se preocupando comigo para que eu não desfalecesse, pediu para a enfermeira medir minha pressão e voltamos a sala do médico radiologista que fizera a ultrasson e ele me disse que o resultado do exame de ultrasson, infelizmente acusou a morte do meu bebe e que isto tinha ocorrido a três dias dentro da minha barriga, eu chorei e soluçava diante da situação, não conseguia raciocinar com isto tinha acontecido comigo, neste momento meu médico já estava no telefone para falar comigo e me explicou que estaria voltando do Rio de Janeiro para me ver, antes me perguntou se eu tinha passado mal ou sentindo alguma coisa, que ele sentia muito, mas que eu teria um bebe natimorto e que tudo levava a crer que fora devido a pressão intracraniana...me perguntou também se eu queria fazer uma cesariana ou tomar remédio para abortar...
Ahh! meu mundo caiu, chorei muito, e pedi que me preparassem para a cesariana, jamais aguentaria tomar remédio para abortar uma criança de 09 meses, seria muito maior o meu sofrimento do que o corte que teria no meu ventre, e me preparam para o centro cirurgico
Eu não conseguia parar de chorar e ver que ao meu redor, tinha outras mães que estavam sendo preparadas para darem a luz também, mas que teriam seus filhos nos seus braços, enquanto eu não teria o prazer de segurar a minha filha e ouvir o choro dela...minhas lágrimas derramavam e molhavam todo o roupão que eu usava enquanto aguardava a chegada do meu médico, observava tudo o que acontecia no centro cirurgico e cada mãe que era preparada e levada para o centro cirurgico era motivo de mais lágrimas minhas serem derramadas...
Meu médico chegou e veio falar comigo, me pediu perdão...pois se lembrou que eu andava triste e com medo, pois fizera sentido o meu pressentimento e que ele me dissera que um "raio não cai duas vezes na mesma cabeça" como ele se enganara, pois jamais durante toda o tempo de profissão dele, isto aconteceu com uma paciente dele e como ele se enganou e foi infeliz em dizer uma frase destas...que eu mereceria toda a atenção dele, apenas pedi que chamasse meu marido e que ele autorizasse a ele ficar no centro cirúrgico comigo, pois eu precisaria demais dele segurando a minha mão...depois de todo paramentado para adentrar ao centro cirúrgico, meu marido segurava minha mão, receoso, enquanto se faziam os procedimentos cirúrgico, pois eu estava querendo desfalecer e me sentia muito mal, ele fica desesperado chamando pelo meu nome e dando tapinhas no meu rosto com medo de que fechasse os olhos, e eu queria me entregar, não teria mais sentido, eu não teria minha filha nos meus braços, mais ele me fez lembrar que eu tinha um filho em casa esperando pela minha volta e que Deus tinha nos salvado, com tudo o que nós passamos, foi aonde eu reagi e fiquei forte para terminarem o parto, até o momento de virem coma minha filha enrolada em um lençol branco...ah como chorei me neguei e não queria ve-la, porém o meu médico disse vc vai ver sim...precisa ver, pois passou nove meses sonhando como ela seria e agora não quer ve-la...nossa! quanta dor, eu só chorava, meu marido também soluçava de chorar e pude ver que a emoção tomou conta de toda a equipe médica que estava no centro cirúrgico, a enfermeira com o bebe, segurando do meu lado, colocou ela em cima de mim, e eu chorei tanto...porque queria sentir um sopro de vida, que alguma coisa acontecesse e ela sobrevivesse como que um milagre...a única imagem que tenho dela era de que ela estava suja de sangue e de placenta, pois acabara de nascer, tinha uns traços bonitos, branquinha, cabeluda, cabelos pretinhos, parecia que já nascera penteada, narizinho, boquinha tudo perfeito, perguntei a enfermeira se os dedinhos das mão e dos pés eram perfeitos...e ela me respondeu ela é perfeita, linda, nasceu com 3.250 grs e 47 centimetros.
Um comentário:
Cada vez que leio um pedaço do seu blog, vou descobrindo como você é forte! Bjks
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