Seja bem vindo(a)!

Há sempre alguém na vida da gente...alguém que aparece sorrindo, alguém que nos deixa chorando, e por mais que a gente tente esquecer...

Há sempre alguém impossível de esquecer...

Aqui vai um pouco da minha essência....

Tudo o que penso, sou e sinto...assim sou eu e meu blog.

Espero que curtam este espaço e desde já agradeço pela visita...

Sintam-se a vontade!



















Dentro do Centro cirurgico...

23 anos e "bum" uma explosão de acontecimentos em minha vida, já casada...passei por uma experiência nada agradável de me sentir mutilada internamente ao perder uma das minhas trompas uterinas devido a uma gravidez equitópica...fiquei tão mal quando houve a hemorragia, e tive uma parada cardio-respiratória eu cheguei a querer atravessar para o outro lado da vida, sim me vi fora do meu corpo vestida toda de branco em uma rua, ou melhor eu precisava atravessar a rua, me lembro que tinha muito engarrafamento, carros parados, buzinas e pessoas que eu não conhecia, e eu não conseguia atravessar sendo que a faixa de pedestres estava logo a minha frente, mais neste lugar aonde eu tentava atravessar...eu não estava sentindo dor e nem consigo me lembrar que eu tinha marido e família, apenas queria atravessar, pois naquele momento, ão sentia nada que me incomodasse, a unica preocupação que tinha seria de como eu iria atravessar a rua, estava hipotente, não conseguia atravessar, algo não me deixava...foi quando ouvi pelo meu nome...sim quando acordei estava cercada por enfermeiras e pela médica, dizendo para correrem comigo para o centro cirúrgico porque eu havia tido uma parada, foram as palavras que me lembro ter ouvido, já no centro cirúrgico, tudo era novidade...pois até a idade em que me encontrava, nunca tivera entrado em um centro cirúrgico e nem passado por algo do tipo, apesar da dor que sentia pude perceber a sala branca e cheia de equipamentos, barulho das máquinas, a mesa de instrumentos cirúrgicos, lençóis brancos e verdes, aquele espelho grande sobre mim, uma separação que vinha sobre mim na cama, separando o meus membros superiores dos inferiores, entendi que era para eu não ver a cirurgia da cintura para baixo, a equipe médica reunida e olhando para mim, comentavam algo, me sentia uma cobaia, tive vergonha quando percebi que estava nua, lembro-me da dor que senti quando me enfiaram uma agulha na minha espinha dorsal, dizendo que era uma anestesia e que se chamada rack, iria me anestesiar das pernas para baixo, aquilo me queimava por dentro...depois vieram os fios do tipo magnéticos pelo meio peito, minha mão, ligados por um monitor, descobrir também que era para monitorar a pressão arterial, batimentos cardíacos...mais até então tudo era novidade aos meus olhos...por um momento delirei e pensei que o médico anestesista fosse o meu marido, pois eu chamava pelo nome dele insistentemente...pensava que eu ria morrer ali no meio daquilo tudo...
Quando a rack fez efeito, não senti mais minhas pernas, a sensação era horrível, parece que eu tinha morrido da cintura para baixo, mais por intuição senti o momento do corte no meu baixo ventre, como um corte de cesariana, ouvi um barulho de algo que expirava como se fosse um aspirador de pó, e depois ouvi também o barulho da tesoura, cortando algo, imaginei que era os pontos que estavam sendo cortados a cada laçada dado pela agulha, os médicos falavam entre si e eu não conseguia entender, me sentia meia drogada e nauseada por causa do efeito da anestesia e lutando para não dormir, achando que não iria mais acordar...
Quando terminou a cirurgia no momento dos enfermeiros me pegarem da cama cirúrgica e me passarem para a maca, observei que a cama estava lavada de sangue e vi na lixeira, muitas gases sujas de sangue...era a hemorragia que eu tive..que fora estancada e retirada a trompa uterina que teve o vazamento de sangue... Fiquei em uma semi-uti para observação depois da cirurgia, naquele momento passaram tantas coisas pela minha cabeça, um medo terrível, não sabia o que viria depois...não conseguia raciocinar direito, sentia muito frio, meu corpo tremia tanto... me sentia hipodérmica, pedi vários cobertores para a enfermeira e o frio não passava...foi uma experiência unica...Até o momento em que me liberaram para o quarto, fui rever meu marido somente no dia seguinte, estava acabada, devido a rack fiquei sem travesseiro, usando uma sonda e sem poder levantar durante 24 hs, não tinha me banhado e achava que o corte que tinham me feito era enorme, quando passava a mão pelo curativo...
Pensei como pude passar por isso, estava recem casada, curtindo ainda minha lua de mel... e já estava ali dentro de um leito de hospital, mutilada, com medo de não poder mais engravidar e me sentindo um patinho feio, por causa da minha cicatriz que tinha ganhado no meu ventre, sem ao menos ter sido mamãe...foi um momento dificil, tive muito apoio e carinho do meu marido e familia ...mais superei.
E logo engravidei novamente, agradeci a Deus a facilidade de engravidar com somente uma trompa, mais também passei por momentos dificeis, no começo enjoava muito, perdi peso, tive que ficar hospitalizada nos tres primeiros meses para tomar soro, pois nada parava no meu estomago, passado os tres primeiros meses, meu organismo se acostumou e levei bem até o sétimo mês, aonde tive a perda do meu pai que veio a falecer, passei por fortes emoções e preocupações e acabei sendo hospitalizada novamente para segurar o bebê, foi aonde conheci um médico que gostei muito do modo como cuidou de mim e era obstreta, acabei trocando a médica que me acompanhava no pré-natal por este médico...a postura e inteligência dele me fizeram me sentir mais segura, ele me deu alta e disse que meu bebê viria na hora certa aos nove meses como tinha que ser, ficou acertado com ele, que ele seria meu médico obstreta a partir daquele momento...tive alta e muitas recomendações, para repousar, tentar não ficar triste, visto que eu estava de luto, q isto fazia mal para o bebê etc...
Quando estava completando 36 semanas, tinha um matrimônio da minha tia, eu fui com aquele barrigão enorme, mais já me sentia cansada e com uma sensação que não sabia descrever...mais chegando lá tive uma crise de choro...chorei tudo que havia repreendido pela perda do meu pai, pois me lembrei muito dele, estava muito recente ainda, fazia 02 meses que ele havia falecido, e quando vi toda a familia reunida e não vi o meu pai...entrei em desespero e chorei muito...
Neste mesmo dia de madrugada, meu marido disse que eu estava agitada e ele me ajudou a ir até o banheiro, aonde eu passei muito mal, com vomitos..estava tendo convulsões e ele desesperado não sabia o que fazer...se me segurava ou se ligava para pedir ajuda...disse que eu estava ficando com os lábios roxos, ele via minha barriga mexendo e imaginava que o bebe estava sofrendo também...me levou de volta para a cama e foi procurar por ajuda de vizinhos...uma vez que não conseguia nem dirigir de tanto nervoso, eu já estava desacordada e convulsionando, nisto ele já tinha ligado para a mãe dele, o qual vieram prontamente para ajuda-lo a me levar para a maternidade ... Como eu já tinha minha malinha pronta...pois já estava entrando nas 36 semanas, eu já havia deixado o quartinho do bebe arrumado, a minha mala e a mala do meu bebê, ele me banhou e me vestiu, pois era de madrugada eu estava de camisola...fomos direto para a maternidade Santa Joana, ele me deixou deitada no banco traseiro no colo da mãe dele e contou que desde de casa até a Maternidade eu convulsionei 08 vezes...chegando na Maternidade deram entrada direto no Centro cirurgico, minha pressão arterial estava 21x18, por isto estava convulsionado, eu estava tendo uma eclampsia, não tiveram tempo de ligar nem para o meu médico obstreta, fui socorrida pelo obstreta de plantão, não havia tempo para esperar meu médico chegar eu e meu bebe corríamos risco de vida...
Foi tudo muito corrido, não tive nem tempo de filmar meu parto como havia programado, os médicos não permitiram também devido ao meu estado grave, fizeram a cesariana e nasceu meu filho lindo Fabian, Não vi nem o nascimento do meu filho, estava num pré-coma, não reagia a nada, foi Deus quem nos salvou...
O desespero na sala de espera tomava conta do meu marido e familiares, até que veio a noticia de que conseguiram salvar o bebê, que ele havia nascido, passava bem...mais que a mamãe dele não estava bem...meu marido passou mal e pensou que eu não resistiria e se apegou a orar, chamando atenção de todos que estavam nas salas de espera, aonde fizeram uma corrente de oração para mim...
Passado tres dias do nascimento do meu filho eu acordei e não me lembrava de nada, estava fora de mim, sem saber que dera a luz, não conseguia nem segurar o meu bebe sobre mim para amamenta-lo, estava imensa devido ao inchaço provocado pela eclampsia, digo pressão alta...
Foi aonde me dei conta que havia sido mãe e me contaram o ocorrido....Fui salva eu e ao meu filho pelos médicos de plantão do Hospital Santa Joana e pelas mãos de Deus misericordioso, pois segundo os médicos foi um milagre... nenhum dos dois, nem mãe e filho tiveram sequelas de todo este sofrimento...ele veio ao mundo, foi guerreiro, quis viver e me salvou também para eu poder cria-lo...pois já era parte de mim, ligado a minha vida pelo cordão umbilical e precisava muito da mãe dele junto dele, tão pequeno e indefeso...inclusive ele na hora de nascer, devido as convulsões que tive e a pressa dos médicos em tira-lo do meu utero, para ele não ter falta de oxigênio, sofreu um pequeno corte aurelicular atras da orelha, na hora de passarem a lamina para me cortar, acabaram cortando atras da orelhinha dele também, pois ele estava de ladinho já em sofrimento...segundo meu marido, quando foram ve-lo pelo espelho no berçario, levaram um susto de ve-lo com uma atadura enorme na orelha direita, foi aonde o médico pediatra veio explicar que fora um corte devido a correria da cesariana, mais foi pequeno e a cicatrização ocorreu rapidamente...

Um comentário:

Elisabeth disse...

Linda sua história... de arrepiar.
Menina, acho que você deveria escrever mesmo um livro! Bjs